terça-feira, 18 de março de 2008

As Cirurgias para Emagrecer

O Tratamento Comportamental do Excesso de Peso
A cirurgia para emagrecer (também chamada Cirurgia Bariátrica) é atualmente uma importante arma no tratamento do obeso classe III, antigamente chamado de obeso mórbido. Estima-se que existam no mundo aproximadamente 800 mil pessoas nesta situação e sabe-se também que a obesidade mórbida é uma das doenças que mais matam no mundo. Na América Latina é provável que cerca de 200 mil pessoas morram anualmente em decorrência das complicações da obesidade (hipertensão arterial, diabetes mellitus, doenças cardiovasculares – infarto, derrame cerebral, câncer). O tratamento cirúrgico da obesidade baseia-se, portanto, na redução do peso, determinando uma diminuição dos riscos para a saúde.

Quem deve e quem não deve operar-se.
A indicação para a realização da cirurgia é feita basicamente usando-se a classificação de obesidade definida pela Organização Mundial da Saúde. Obesos que tenham IMC maior que 40 kg/m2 ou IMC maior que 35 kg/m2, com a presença de doenças associadas (colesterol alto, pressão alta, diabetes, entre outras), apresentam indicação para esta forma de tratamento. Vale lembrar que além destes critérios deve existir também uma ausência de resposta a tratamentos clínicos adequados (programa alimentar, atividade física e medicamentos). A cirurgia está contra-indicada em indivíduos que apresentem insuficiência renal, infarto agudo do miocárdio, cirrose hepática, doença pulmonar grave, dependência de álcool ou drogas, além de distúrbios psiquiátricos graves. Cada caso, entretanto, deve ser avaliado de forma individual.

Preparo necessário para a cirurgia.
É preciso que se tenha um centro com instalações apropriadas para a realização desta cirurgia, como a presença de camas resistentes, banheiros adaptados e principalmente uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), já que o pós-operatório imediato requer muito cuidado. Um dos fatores mais importantes para o sucesso da cirurgia é o acompanhamento multiprofissional tanto no pré quanto no pós-operatório. A equipe ideal para os cuidados pré e pós-operatórios dos pacientes que se submetem à cirurgia bariátrica deve reunir os seguintes profissionais:

1. Médicos
Endocrinologistas – para acompanhamento da perda de peso e das alterações metabólicas associadas.
Psiquiatras – para avaliação de distúrbios que possam comprometer o resultado da cirurgia, como a compulsão alimentar, que é muito freqüente entre os obesos mórbidos, e para descartar o diagnóstico de doenças psiquiátricas que poderiam representar uma contra-indicação para a cirurgia.
Cirurgiões – responsáveis pelo ato cirúrgico. Numa fase posterior, após uma grande perda de peso, torna-se necessária também a intervenção de um cirurgião plástico, para retirar o excesso de pele decorrente do emagrecimento.
Anestesistas - com experiência neste tipo de procedimento.
Intensivistas - médicos responsáveis pelo pós-operatório imediato dos pacientes.
Cardiologistas – responsáveis pela avaliação do risco cirúrgico e das alterações cardiovasculares associadas.
Gastroenterologistas – importantes para avaliação de doenças gastrointestinais associadas.
2. Nutricionistas – profissionais responsáveis pela orientação nutricional no pré e pós-operatório. É importante lembrar que o paciente deve aprender a mastigar bem os alimentos para o sucesso das cirurgias que reduzem a cavidade do estômago.
3. Enfermeiros – treinados especialmente para o acompanhamento destes pacientes.
4. Psicólogos – o apoio psicológico é de fundamental importância em todas as etapas deste tratamento.

Como funcionam as cirurgias para emagrecer.
As diferentes técnicas que serão descritas mais adiante funcionam basicamente de 2 maneiras: limitando a quantidade de alimento ingerida ou diminuindo a absorção destes alimentos no intestino. As técnicas mais utilizadas combinam estes 2 mecanismos, garantindo uma maior eficácia.

1 – Gastroplastia Vertical com Bandagem: desenvolvida em 1982, consiste no fechamento de uma porção do estômago através de uma costura das suas paredes (formando um estômago muito pequeno) e restrição da saída do compartimento formado através do uso de um anel de contenção. O orifício para saída dos alimentos fica reduzido a 1,5 cm. Esta cirurgia pode apresentar resposta insatisfatória a longo prazo, devido a falhas técnicas e principalmente porque o paciente pode aprender a burlar a técnica, ingerindo alimentos líquidos hipercalóricos e de rápida passagem gástrica (exemplos – milk-shake e leite condensado). Com esta cirurgia ocorre uma redução em média de 30% do peso nos primeiros anos e após 10 anos de seguimento a perda cai para menos de 20%. Foi a técnica mais utilizada nas décadas de 80 e 90.

2 – Gastroplastia com Derivação Gastrojejunal (Cirurgia de Capella): é hoje a técnica mais utilizada em todo o mundo para o tratamento da obesidade, pois apresenta ótimos resultados a longo prazo e baixo índice de complicações. A cirurgia consiste na restrição do tamanho do estômago para um volume menor que 30 ml, colocação de um anel de contenção na saída do compartimento formado (orifício menor que 1,5 cm) e conexão direta com uma alça intestinal. Esta combinação, além de restringir drasticamente a capacidade do estômago, faz também que o indivíduo apresente diarréia se tentar ingerir alimentos hipercalóricos, já que estes vão imediatamente cair no intestino delgado. O próprio paciente tem a necessidade de ajustar a sua alimentação, a fim de evitar sentir-se mal após as refeições.

3 – Implantação Laparoscópica de Banda Gástrica: é uma técnica recente que consiste na implantação videolaparoscópica de uma banda regulável na porção alta do estômago, diminuindo a área que funciona como reservatório de alimentos. Tal banda tem conexão com pequeno dispositivo colocado sob a pele e tem o tamanho do orifício de saída conforme a necessidade. As séries de pacientes operados por esta técnica mostram uma eficácia menor do que a obtida através da técnica anteriormente descrita.

4 – Derivação Biliopancreática Parcial com Gastrectomia Distal (Cirurgia de Scopinaro): é uma técnica que promove restrição da ingestão (diminuição da câmara gástrica) com relativa má-absorção e digestão. Alguns centros defendem esta cirurgia como procedimento mais eficaz em pacientes extremamente obesos ou portadores de compulsão alimentar, já que esta técnica não restringe a ingestão de alimentos como as demais. Algumas desvantagens seria a possível ocorrência de diarréia, mau hálito, flatulência e deficiência na absorção de ferro, cálcio e vitaminas.

Alguns centros utilizam como preparo pré-operatório um balão intra-gástrico, que não corresponde a um procedimento cirúrgico. Esta técnica consiste na colocação de um balão de silicone dentro do estômago, através de endoscopia digestiva, diminuindo seu espaço interno e proporcionando uma sensação de plenitude constante. O objetivo da utilização do balão é fazer com que o paciente perca peso antes da realização da cirurgia, reduzindo os riscos durante e após a operação.

Como é realizado o procedimento cirúrgico? Atualmente o procedimento mais realizado nos grandes centros é a cirurgia de Capella, que pode ser feita por “via aberta” ou por “via videolaparoscópica”. A via aberta consiste na realização de uma incisão (abertura) na região central do abdome, acima do umbigo. Com isto, o cirurgião tem acesso direto ao estômago e intestino, onde poderá desenvolver com mais facilidade a técnica operatória. A via videolaparoscópica consiste na realização da cirurgia utilizando pelo menos 3 pequenos pontos de corte no abdome, por onde o cirurgião introduz cânulas com uma câmera de vídeo em uma delas. O estômago e o intestino serão visualizados e manipulados através destes orifícios. A escolha da via a ser utilizada dependerá da experiência da equipe cirúrgica, além das condições clínicas do indivíduo. Existem, porém, algumas vantagens e algumas desvantagens na realização da cirurgia videolaparoscópica.

Vantagens
1) Diminuição do tempo cirúrgico
2) Melhor resultado estético, pelo menor tamanho da cicatriz cirúrgica.
3) Redução do tempo de internação no pós-operatório.

Desvantagens
1) Custo mais alto
2) Maior dificuldade técnica
De maneira geral, o tempo de internação costuma variar entre 3 e 7 dias. O paciente recebe alta com orientação nutricional que dependerá da técnica empregada.

Possíveis problemas decorrentes das cirurgias
Como complicações mais comuns no pós-operatório temos: estenose (fechamento ou estreitamento) e ulceração no estômago; náuseas e vômitos, infecção da ferida operatória, rompimento dos pontos da cirurgia, pneumonias e embolia pulmonar. Tardiamente podem ocorrer: cálculo de vesícula biliar, deficiência de vitaminas e sais minerais, diarréia, entre outras. A mortalidade geral da cirurgia está em torno de 0,3 a 1,6 %.

Resultados esperados com a cirurgia
Os resultados esperados com a cirurgia, especialmente com a técnica de Capella, incluem a perda de peso, melhora das doenças associadas à obesidade (hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado) e da qualidade de vida. A cirurgia de Capella possibilita uma perda de peso em torno de 35% nos primeiros 12 a 24 meses. Os pacientes mantêm o peso 33% menor que o peso inicial por um período de mais de 10 anos. Em contrapartida, a perda de peso pode ser insatisfatória em 20% dos casos. Quanto às complicações da obesidade, foi observado um melhor controle do diabetes em até 90% dos casos, além de uma melhora do perfil lipídico (diminuição do colesterol e triglicérides). Aproximadamente dois terços dos pacientes com hipertensão arterial tiveram sua pressão normalizada em um prazo de 4 anos. Vem sendo conduzido um estudo na Suécia (SOS – Swedish Obese Subjects), que visa avaliar a eficácia da cirurgia em todos os seus aspectos. Estão sendo comparados 2 grupos: um grupo controle fazendo tratamento não cirúrgico para obesidade e outro submetido a cirurgia, com previsão final de 2000 pacientes para os 2 grupos. Posteriormente, ambos os grupos serão acompanhados por um período de 10 anos. Alguns resultados preliminares obtidos com 2 anos de seguimento mostraram uma redução dramática dos fatores de risco cardiovasculares, incluindo diabetes e hipertensão arterial. A média de perda de peso no grupo operado foi de 23.6 kg comparado a 0.1 kg no grupo controle. A mortalidade geral após 6 anos foi 9 vezes menor no grupo que realizou tratamento cirúrgico. Dados mais recentes, obtidos com 8 anos de seguimento, mostraram que a perda de peso máxima obtida em 1 ano foi de aproximadamente 30 kg e que se manteve em torno de 20 kg após 8 anos.

Onde operar-se
As cirurgias vêm sendo cada vez mais difundidas, já que a obesidade mórbida (classe III) tornou-se uma doença freqüente. Nem todos os centros estão aptos à sua realização, pois, como discutido anteriormente, é necessária uma equipe multiprofissional especializada neste processo, além da disponibilidade de um espaço físico com instalações adequadas. O Sistema Único de Saúde (SUS) vem realizando estas cirurgias em alguns centros do país. A procura por estes centros tem sido muito grande e a demanda do serviço público ainda não consegue ser completamente atendida, gerando longas filas de espera. Uma melhor estruturação destes serviços associada à experiência adquirida, proporcionará o atendimento de um contingente cada vez maior de obesos mórbidos. Há ainda a opção da realização da cirurgia na rede privada. Isto implica em gastos desde o preparo (envolvendo o trabalho com a equipe, visando a estabilização clínica para a cirurgia) até o procedimento operatório e a internação hospitalar. Vale lembrar ainda que o paciente, mesmo após a cirurgia, necessitará de seguimento clínico. Alguns planos de saúde estão viabilizando a realização da cirurgia para obesidade, oferecendo cobertura total ou parcial dos gastos com o procedimento.

O futuro das cirurgias para emagrecer.
Nos próximos anos é provável que o número de obesos operados aumente muito, em função dos resultados expressivos que a técnica pode oferecer e dos riscos cada vez menores deste tipo de cirurgia. Em um futuro mais remoto, com a implementação de medidas preventivas mais abrangentes e o desenvolvimento de medicamentos mais eficazes, é possível que diminua o número de pacientes que cheguem a necessitar de um tratamento mais radical. Muita gente ainda teme as cirurgias para emagrecer. Não se pode esquecer, no entanto, que os riscos da obesidade mórbida são muito maiores que os da cirurgia bariátrica.

Fonte:http://www.emagrecimento.com.br/index.asp?pg=07.htm

4 comentários:

Tiane disse...

boa demais essa materia que vc postou! vai ajudar bastante quem tem interesse em fazer a cirurgia bariátrica. show de bola!!!
=)

Ana disse...

Ei colega!! eu vou fazer este tipo, a capella aberta, ja esta marcada pro dia 14 de abril em BH no Hospital da policia militar às 10:00 ...muito boa as informações que vc postou...parabéns..bjss

nivea disse...

Oi,
Gostaria muito de ter coragem e deixar de ser infeliz.

Valeu as informaçoes.
bju...

Lu Máfia disse...

Nivea,
Sua felicidade não dependera só da cirurgia, mas com certeza será o inicio de tudo...
Primeiramente coragem pra querer mudar... Bjão!!!